
O encontro realizado no dia 16 de junho de 2015 reuniu na cidade de Brasília, artistas independentes, movimentos organizados pela sociedade civil e gestores públicos vindos de várias regiões do país, com recursos próprios, para encontrar com o Ministro Juca Ferreira. A intenção geral foi apresentar, uma breve trajetória das ações traçadas pelas diretrizes politicas que inseriram a atuação da sociedade civil na construção do desenho do cenário da Dança no Brasil de hoje. Na fala dos presentes houve cobrança da efetivação de processos que estão em rota ao longo dos anos, mas também reafirmou a disposição coletiva para colaborar na construção de novas metas.
Representando a Funarte, estiveram presentes à reunião, além do presidente da instituição, o diretor do Centro de Artes Cênicas (Ceacen), Leonardo Lessa, e o coordenador de Dança, Fabiano Carneiro. Abrindo o Encontro o presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), Francisco Bosco, iniciou sua fala abordando contingenciamento orçamentário, mas garantiu o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna, e anunciou a impossibilidade de realização de editais específicos, como o edital para a realização de festivais. Expos também, sua intenção de discutir propostas para o setor que vão compor a Política Nacional das Artes (PNA), movimento que ele descreveu aos presentes.
Este foi o primeiro diálogo oficial da comunidade de dança com o ministro da Cultura, Juca Ferreira nesta nova passagem dele pelo Ministério da Cultura. Em avaliação dos participantes, foi considerado significativo com destaque relevante principal, a postura firme do Ministro, que se comprometeu com a condução de alterações estruturais importantes tanto na Funarte como da CNIC, reafirmando seu compromisso com a exclusão do termo ” artes cênicas ” para designar áreas distintas das artes.
Falou Dulce Aquino sobre o encontro:
“O que eu acho realmente importante que aconteceu nessa reunião do dia 16 foi a postura firme de Juca de tirar este termo generalizante ” artes cênicas ” tanto da Funarte como na CNIC. Na Funarte será um ganho histórico pois, desde o SNT da década de 50 do século passado, depois Inacen, Fundacen e por fim Funarte que a dança permanece submetida à lógica das necessidades de áreas mais hegemônicas como o teatro. Claro que a presença política do teatro na sociedade brasileira vai desde o teatro amador, os CPCs e Cucas estudantis, importantíssimos e que a ditadura militar tanto perseguiu, quanto a indústria atual do entretenimento com as mídias em especial a TV. E por todos esses anos, e tenho como militante desde os doze anos acompanhado o avanço de nossa classe na luta por espaço, políticas próprias e autonomia, lembro na década de setenta e 80 nossa luta com Celso Cardoso, na década de 90 com Alfredo e por espaço pequeno de tempo Marcos Teixeira, que foram coordenadores de dança. No governo FHC no final tivemos um lida fantástica quando foi chamado Paulo Pederneiras para uma ação mais forte para a dança por conta das nossas lutas. E na CNIC será um ganho extraordinário pois teremos uma cadeira no espaço mais significativo da gestão cultural pois é onde se determina a distribuição de grana neste nosso “triste país” cada vez mais a mercê do capitalismo perverso e desta onda negra do conservadorismo e da intolerância… Por fim foi belíssima a reunião, pela a força de cada fala que apesar de sucessivas soaram como um coro forte e harmônico. Sua luta vale muito, assim como a de todos nós que temos vontade e coragem de lutar pelo avanço da dança sem interesses imediatos e mesquinhos. Nossos parlamentares com exceção de alguns precisam aprender com os aguerridos cidadãos e cidadãs da DANÇA. Sabe porque? A dança nos ensina ética, tipo assim, na coreografia sempre respeitamos o espaço do outro , na improvisação sempre buscamos novas soluções para poder realizar deslocamentos, no final do espetáculo para receber os aplausos, sempre nos damos as mãos e chamamos para o palco também aqueles que ficaram atrás das cortinas e dos refletores etc, etc, etc… Portanto está guerra é constante e cheia de batalhas. O bom é que nós da dança temos ganho a maioria. Bela trajetória – Viva a DANÇA!”
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Carta do FND Encontro da Dança com o Ministro Juca Ferreira